O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrenta um cenário complexo marcado pela redução do quadro de servidores, aumento expressivo da demanda por benefícios e crescimento dos afastamentos por transtornos mentais entre trabalhadores da autarquia.
Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) indicam que 1.871 servidores do INSS foram afastados por transtornos mentais ou comportamentais entre 2024 e 2025. O número representa cerca de 10% da atual força de trabalho do órgão.
Ao mesmo tempo, a estrutura do instituto sofreu uma redução significativa ao longo das últimas duas décadas. Entre 2006 e 2025, o INSS perdeu aproximadamente 53% de seus postos de trabalho, enquanto a demanda por serviços previdenciários cresceu cerca de 80%.
O resultado desse desequilíbrio estrutural é visível na fila de processos previdenciários. Atualmente, o número de solicitações aguardando análise chegou a aproximadamente 3 milhões de requerimentos, um dos maiores volumes já registrados.
Impactos para servidores e segurados
A combinação entre alta demanda e redução do quadro funcional cria um ambiente de forte pressão sobre os trabalhadores do órgão.
Relatos recorrentes apontam para jornadas intensas, metas elevadas e dificuldades operacionais, incluindo limitações tecnológicas e insuficiência de pessoal. Esse cenário tem contribuído para o aumento de afastamentos por motivos relacionados à saúde mental.
Por outro lado, os efeitos também atingem diretamente os segurados que dependem da Previdência Social.
Em Mossoró (RN), por exemplo, uma família aguarda há meses a análise de um pedido de Benefício de Prestação Continuada (BPC). O benefício é destinado a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade econômica.
A demora na concessão de benefícios pode impactar diretamente o acesso a tratamentos médicos e terapias, especialmente em casos que exigem acompanhamento contínuo.
Desafio estrutural da Previdência
A análise dos dados sobre o funcionamento do INSS revela um problema estrutural que vai além das críticas pontuais à demora na concessão de benefícios.
Especialistas e pesquisadores apontam que o crescimento da demanda previdenciária, somado à redução da força de trabalho, cria gargalos que dificultam a prestação de serviços em um dos maiores sistemas de proteção social do mundo.
Nesse contexto, o desafio envolve não apenas a gestão da fila de processos, mas também a recomposição da capacidade operacional do órgão para garantir atendimento adequado à população e condições de trabalho sustentáveis aos servidores.
📌 Fonte: reportagem do jornalista Rafael Oliveira, publicada pela Agência Pública.






